Qual a razão do choro dela?
No decorrer do culto, enquanto eu orava em silêncio, tudo parou de repente. Pensei: – Por favor, Senhor não deixe esta reunião acabar nunca.
Levantei os olhos e vi Kathryn Kuhlman escondendo o rosto nas mãos e começando a soluçar. Ela chorou e chorou, tão alto que todo e qualquer ruído cessou. A música deixou de tocar. Os recepcionistas ficaram paralisados em suas posições.
Todos os olhos estavam fitos nela. E eu não tinha a menor idéia da razão do choro dela. Nunca vira um ministro fazer isto antes. Por que chorava? Contaram-me mais tarde que ela jamais fizera uma coisa dessas e os membros de sua equipe não se esqueceram até hoje.
A evangelista continuou chorando por um período de mais ou menos dois minutos.
Depois jogou a cabeça para trás. Ali estava ela, a alguns passos de mim, com os olhos chamejantes. Estava viva. Naquele momento ela mostrou uma ousadia que eu nunca vira em outra pessoa. Apontou com o dedo em riste, com enorme poder e emoção e até mesmo sofrimento. Se o próprio diabo estivesse lá, ela o teria derrubado com um simples golpe.Foi um instante de incrível dimensão. Ainda soluçando, Kathryn olhou para a audiência e disse em agonia: – por favor. – Ela pareceu esticar a palavra: - Por fa-a-vo-or, não entristeçam o Espírito Santo.
Ela suplicava. Se você puder imaginar uma mãe rogando a um assassino que não mate o seu bebê, terá uma idéia do quadro. Ela pedia e suplicava.
– Por favor, - soluçou – não entristeçam o Espírito Santo.
Até hoje me lembro dos olhos dela, era como se olhasse direto para mim.
Quando disse isso, um alfinete poderia ter caído no chão que você o ouviria. Eu tinha medo até de respirar. Não movi um músculo. Agarrei-me no banco à minha frente, pensado no que viria a seguir.
Ela disse então: – Vocês não compreendem? Ele é tudo o que eu tenho!
Pensei comigo mesmo – Do que ela está falando? Sua súplica apaixonada continuou, e disse: – Por favor! Não o magoem. Ele é tudo o que eu tenho. Não magoem o meu Amado!
Jamais esquecerei estas palavras. Posso lembrar ainda como sua respiração ofegava ao pronunciá-las.
O pastor de minha igreja falava sobre o Espírito Santo, mas não dessa forma. Suas referências estavam ligadas aos dons, línguas, ou profecia, e não à idéia de ser o “meu mais íntimo, mais pessoal, mais amado amigo”. Kathryn Kuhlman estava falando de uma pessoa que era mais real que você ou eu.
Ela apontou então seu longo dedo para mim e disse com grande clareza: – Ele é mais real do qualquer coisa neste mundo! [...]
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